Pablo Escobar: Meu Pai (Juan Pablo Escobar)

Apesar de ser basicamente fruto de uma única história, existe diversas perspectivas com que se pode acompanhar a biografia de alguém. Os livros do gênero costumam ser escritor por bibliógrafos, jornalistas, parentes, amigos próximos e, em alguns casos bem específicos, até pelo próprio intitulado da obra. E ainda assim, teremos sempre visões diferentes de um mesmo ponto. Talvez por isso, algumas personalidades acabam ganhando muitas versões diferentes de suas vidas. Gerando variações de um mesmo tema que é reciclado inúmeras vezes em todo tipo de formato midiático. Cada uma com o seu ângulo particular de visão.
Esse é o caso por exemplo do mega traficante colombiano Pablo Escobar, uma figura bem conhecida, que já teve a sua jornada debulhada em diversos filmes, séries, novela, documentários e até músicas, mas que sempre encontram uma nova maneira de recontar a sua história. E, de forma impressionante, parece que todas elas encontram um caminho diferente de como cativar o público. Mas nenhuma dessas alternativas poderia fornecer um prisma tão complexo quanto o de Pablo Escobar: Meu Pai (Editora Planeta, 477 páginas), escrito por Juan Pablo Escobar, o filho do homem. Uma obra que carrega um forte subtítulo com a frase “As Histórias que não deveríamos saber”.

Pode parecer que tudo que se considera relevante sobre a vida de Escobar já tenha sido apresentado, e isso de fato até pode ser verdade, mas seu legado nunca tinha sido visto antes por dentro da sua intimidade. Da rua pra fora, conhecido e temido como líder de um dos maiores carteis de drogas que se tem notícia, mas dentro do lar, um pai de família amado e respeitado, que conduzia o seu lar com uma candura que nunca fez parte da administração dos seus negócios.
A princípio, soa meio estranho conhecer um lado desta figura, narrado pelo próprio filho. Já que todo pai parece um herói aos olhos de sua prole. Mas logo de cara a obra deixa claro que não veio em defesa aos crimes de Escobar, e atua mais como um registro inédito dos bastidores de grandes eventos que marcaram a história recente da Colômbia.
Lançado vinte anos após a sua morte, o livro atua como uma advertência para aqueles que enxergam apenas o lado glamoroso do tráfico, tão romanceado no roteiros de grandes produções. Ao mesmo tempo em que consegue humanizar um simbolo que, por duas décadas, foi vendido como a encarnação de todo mal do fim do século passado.

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