Meio fofo, meio depressivo: Okja tenta pelo apelo, mas não convence pela história

 

Okja é daqueles filmes que comecei a assistir por não ter nada para fazer. Parecia diferente, parecia que me faria mudar um pouco de ares. Eu li o “script” do filme que dizia que uma madame ia tentar reerguer a empresa do falecido pai e fiquei pensando: “Ok, mas o que esse ‘hipopótamo’ do lado de uma menininha no cartaz tem a ver com isso?”. Comecei a assistir e fui em frente. No início até é bonitinho. A história começa com a Mirando, uma indústria de alimentícios que, sob o comando de Lucy Mirando, tenta se tornar uma potência mundial na área de alimentícios. Para isso, desenvolve 26 porcos de uma espécie nova e os espalha por diferentes fazendas pelo mundo com a proposta de após dez anos recolhe-los e fazer um concurso para escolher o melhor “super-porco”, como são chamados os animais.

 

Acontece que o objetivo final da empresa não é ganhar com a imagens dos bichos, mas sim com a industrialização da carne, que promete ser mais saborosa e saudável. Entre os super-porcos recolhidos está Okja, que foi criada em uma fazenda no meio de uma floresta na China, por um velho chinês (Byun Hee-bong) e sua neta, Mija (Seo-Hyun Ahn), que protagoniza a história, fugindo do avô e indo para os Estados Unidos, sede das Indústrias Mirando, a fim de ficar junto de Okja, sem nem imaginar que seu bichinho de estimação tende a ir para o abatedouro. O problema é que até aí a história é bem fraca mesmo (não é o colunista que está desanimado hoje). E nesse ponto já se passou quase metade do filme.

 

A história ganha um pouco de força quando Mija conhece Jay (Paul Dano) e um grupo de ativistas que se propõe a salvar todos os super-porcos e mostrar ao mundo as barbáries cometidas pela Mirando no processo de abate dos animais, colocando a ética e a ecologia em choque com o mundo dos negócios. Mas a tentativa é de focar no sentimento entre Mija e Okja. Só que focar não é algo que o filme consiga e talvez esse seja o principal defeito. Falta um diferencial, algo que dê mais contexto, mais encorpo à história. Só o fato de serem porcos diferentes dos convencionais não convence, de verdade. Aliás, até o tamanho e estilo dos porcos incomodam. Dá a impressão que foram tirados de um desenho animado e deixam o filme mais distante da realidade, abafando o que talvez seja a mensagem mais positiva do filme, que é o tratamento ético dos humanos e empresas com os animais.

 

Outro problema: o tamanho do filme. Mais de duas horas. Tão desproporcional quanto o tamanho dos tais super-porcos. Dava pra fazer algo mais bacana com menos tempo. No mais, é tipo Titanic: meio fofo, meio triste e bem demorado. Mas com investimento muito menor, e sem uns Leonardo’s de Caprio ou umas Kate’s Winslet da vida atuando. O elenco (especialmente Mija e Jay) até tenta, mas não conserta a falta de uma história mais cativante. Alguns dirão que o problema é que é um dos filmes “Original Netflix”, mas nunca se sabe.

 

Enfim, não é o que tem de melhor no Netflix, mas é bonitinho. Talvez você até se emocione (talvez). Vale a pena principalmente se você é daquelas pessoas que ama bichinhos. No caso, o “bichinho” aqui é meio gigante. Mas é fofo. E se você não é noveleiro, vai ser melhor que assistir Vale a Pena Ver de Novo.

Deixe uma resposta