Crítica – Sense8 (2ª temporada)

Sense8, uma série criada pelas irmãs Wachowski, tem a intenção de mostrar dentre muitas coisas a vida de 8 pessoas com uma habilidade evolutiva que os capacita sentir ou até estar na pele de uma das outras 7 pessoas do grupo.
Partindo desde princípio óbvio para você que já assistiu a primeira temporada, percebe-se nesta segunda uma relativa mudança no que diz respeito as intenções das autoras em mostrar não apenas a vida singular de cada integrante mas como de relevar o mistério que os liga e quem está por trás de extinguir isto.
Relembrando um pouco a primeira temporada, ela nos revela no primeiro episódio o que quer dizer o Sense 8 e detalha a partir daí a vida e um pouco da rotina deles, mostrando muitos dilemas morais, a primeira série é rica no que diz respeito a empatia e uma simbiose afetiva entre eles.
Um episódio (dito como primeiro da segunda temporada) foi lançado em Dezembro/2016 mostrando o que os fans da série pediam, um pouco mais de ação e as famosas cenas de relação sensorial mútua.
Porém a partir do segundo episódio, lançado no inicio de maio/2017 vemos uma leve mudança no tom na série revelando mais sobre os mistérios que os cercavam, praticamente tudo que ficou de dúvida na primeira temporada é respondido na segunda, os momentos de ação se tornam mais frequentes na vida dos personagens e creio que o cânone desta temporada se resume ao título do primeiro episódio (segundo pela Netflix) “Quem sou eu?”
Não exatamente na diferença sexual ou moral, mas quem são eles dentro do grupo e dentro da sociedade onde cada um está inserido. Fala muito sobre sua própria aceitação e o que pode fazer para melhorar o mundo.
Em grande equilíbrio todos os personagens amadurecem nessa segunda temporada revelando melhor inclusive os personagens pouco focados na primeira, caso do Capheus (Toby Onwumere), ou os mais calados como o Wolfgang (Max Riemelt), nada escapa aos olhos e todos tem que aprender a resolver seus problemas pessoais, e que quando um deles está em muito apuro, todos aparecem para ajudar e cada um contribui como pode, é incrível ver todos eles trabalhando juntos e isso fica muito claro na season finale com a Sun Bak (Doona Bae).
Algumas tramas ainda correm em paralelo e se destacam mais, como é o caso do Lito (Miguel Ángel Silvestre), que assume sua homossexualidade e agora vê as consequências tanto ruim quanto as boas, que ficam claras no seu discurso da parada gay de São Paulo.
Tudo isso não ofusca a ação da organização que está caçando os senseates e do jogo que é quando o grupo começa a caçar a organização e não apenas se esconder, a única coisa enfadonha é que esbarram em pontos óbvios que relembram séries como Heroes na qual sabemos como acabou e espero que este erro não se projete nesta série, que caminha muito bem e cumpre o que promete como uma série que mescla a realidade com ficção, ela entrega ambos de forma moderada.

No geral temos um bom drama, alívios cômicos e ação bem dosados, explicações que imagino serem dadas agora para que a série possa se desenvolver sem freios a partir daqui.
Contar mais que isso se tornaria spoiler e você não poderia ler antes de ver, apenas digo para assistirem com calma e se deixar envolver pela trama, pois assim como os 8 estão envolvidos, creio que a intenção da série é fazer com que você se sinta o nono integrante e viva junto com eles.

Deus sabe o que faz, eu não.

André Gross

Deus sabe o que faz, eu não.

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